Imparcialidade no jornalismo

Coordenador do curso de jornalismo fala sobre a imparcialidade na imprensa


Você já deve ter ouvido alguém reclamar de algum material jornalístico e uma das principais reclamações é a falta de imparcialidade nas matérias.
Fazendo uma simples consulta no dicionário, imparcialidade significa “não ter partido”. Mas como não vamos ter opinião formada? Somos seres pensantes, logo, a partir do momento que omitimos uma opinião, deixamos de ser literalmente imparciais. E quando se trata de jornalistas a questão fica ainda mais complexa, como afirma o professor coordenador do curso de jornalismo da Universidade Paulista, Elvis Wanderley, “a gente tem que fazer o possível para ser imparcial. É difícil? Sim, mas deve-se fazer”.
Criamos nossos conceitos ao longo de nossas experiências, acabamos observando os fatos de acordo com o que achamos certo, e não de acordo com o fato em si.
No jornalismo, alguns textos são criticados pela falta de imparcialidade, a notícia é transmitida após uma pitada de opinião do autor o que pode prejudicar o recebimento da mensagem, “é essencial se colocar no lugar do leitor… deve entender o texto da informação, e não o texto da informação que alguém quer que siga”, diz.
A ética jornalística defende a imparcialidade, mas existe sempre um conflito de interesses que deve ser equilibrado pelo jornalista. “Junta tudo… junta o feitio editorial, o contexto ideológico de cada jornal, a troca de favores”, comenta o professor, que afirma ainda que o ideal é o repórter estar sempre atento à edição da matéria, para que a linha editorial do jornal não prejudique uma futura formação de opinião.
A melhor atitude seria mostrar detalhadamente os dois lados da questão para que a notícia tenha mais qualidade e faça com que o telespectador tenha consciência. E seria antiético, se o profissional usasse do seu poder jornalístico para notícias propositadamente, com intenção de esconder algum lado.
É comum o jornalista passar por situações complicadas porque um determinado acontecimento arranha a imagem de empresários ligados ao seu local de trabalho. Ou o jornalista altera ou omite o acontecimento ou ele é demitido. O que interessa não é realmente contado, ou é alterado de maneira significativa, para manipular e enganar a população. Devemos lembrar que as instituições de comunicação são privadas e sempre vão defender os ideais da empresa. Não deixa de ser lógico, desde que a notícia não seja alterada.
O jornalista é um ser humano com opiniões e conceitos próprios, isso tem que estar claro, tanto por parte dele, quanto do telespectador. Mas, na hora de noticiar, de fazer o jornalismo puro, ele deve deixar de lado o humano e ser mais profissional e relatar os fatos.

Acompanhe a entrevista:

Imparcialidade, esportes e ditadura

Por um bom tempo, o Brasil esteve sobre o regime da ditadura. Muitas pessoas morreram, foram perseguidas, famílias foram exterminadas por possuírem opiniões diferentes das pessoas que dominavam.
Podemos observar que, durante esse período, a falta de imparcialidade ajudou a manter esse regime em nosso país. A imprensa relatava apenas o que interessava a elite dominante. Enquanto aqueles veículos que possuíam pensamentos diferentes foram severamente perseguidos e exterminados pelas autoridades.
Durante essa época o esporte brasileiro teve um espaço significativo dentro da mídia com o tri campeonato da seleção brasileira na Copa de 1970 e o campeonato mundial do boxeador Eder Jofre. Esses acontecimentos eram noticiados de uma maneira que o outro lado (como a dívida externa e a perseguição a professores e intelectuais) não tivesse o mesmo destaque. Ou seja, a massa se orgulhava de ter grandes esportistas e, com isso, acreditava que o país estava tomando o rumo do progresso enquanto, na verdade, pessoas eram reprimidas (como professores, intelectuais que eram taxados de esquerdistas, termo que era equiparado a um bandido) por ter uma opinião diferente.
Este foi apenas um dos milhares de exemplos onde a parcialidade, usada de maneira exagerada pode causar na sociedade. Não é a toa que não é raro encontrar pessoas que acham que viviam melhor durante a ditadura.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.